1) O QUE É A POLIOMIELITE OU PARALISIA INFANTIL

É uma doença viral aguda que se manifesta de várias formas diferentes, desde infecções inaparentes com quadro febril inespecífico, até formas paralíticas ou fatais. Aproximadamente 95 % das vezes são assintomáticas. A paralisia ocorre em 0,1 % a 2 % dos pacientes, sendo que o risco de doença paralítica aumenta quanto maior a idade com que a pessoa adquire a doença.

O vírus está presente na faringe e nas fezes e os doentes são potencialmente contagiosos sendo que a contaminação ocorre pelo contato direto pessoa-pessoa pelas vias fecal-oral ou oral-oral.

Poliomielite era uma doença muito frequente até as décadas de 70-80 e milhares de pessoas morreram ou ficaram com sequelas devido à doença em todo mundo.

Em 1989 o Brasil foi declarado livre da poliomielite pela OMS, o mesmo ocorrendo em muitos outros países. Atualmente ainda existe em alguns países da África, o que justifica mantermos a atenção quanto à imunização permanente das crianças, pois através de turistas vindos destes países e através das viagens internacionais podemos adoecer caso não estejamos vacinados.

2) QUEM DEVE RECEBER A VACINA E QUANDO?

Todas as crianças a partir de seis semanas de vida. O esquema vacinal é feito aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforços aos 15 meses e aos quatro ou cinco anos de idade. Existem vacinas “combinadas” com pólio e outras doenças, numa mesma injeção. Vide link “vacinas combinadas” para maiores esclarecimentos.

Pode ser administrada concomitantemente com outras vacinas preconizadas para estas idades.

A maior parte dos adultos e adolescentes maiores de 18 anos já foi vacinada contra pólio anteriormente.  Adultos que não tenham recebido a vacina na infância podem ser vacinados. Pessoas viajando para áreas do mundo onde existe poliomielite devem considerar a vacinação.

3) EXISTEM DIFERENTES VACINAS POLIOMIELITE?

Sim. Existem dois tipos, a vacina com vírus vivo atenuado, aplicada via oral (conhecida como Sabin) e a vacina inativada, aplicada intramuscular (conhecida como Salk). Ambas contém poliovirus 1,2 e 3 e nos esquemas recomendados são altamente imunogênicas e eficazes na prevenção da poliomielite.

A imunização com três doses ou mais de Sabin (oral) também induz alto grau de imunidade intestinal à reinfecção por poliovírus  e é a vacina de escolha para erradicação global da doença.

Existe um risco mínimo (um caso para cada 1milhão de doses aplicadas) de causar poliomielite paralítica associada à vacina, principalmente após a 1ª e 2ª doses. Por esta razão o Programa Nacional de Imunizações substituiu as doses de dois e quatro meses pela Salk , que é inativada e não oferece risco.

A CEDIPI só utiliza a vacina SALK, que é inativada e aplicada intramuscular, aos 2,4 e 6 meses com reforço aos 15 meses e 4-6 anos. A vacina está disponível nas formas combinadas com outras vacinas (ver link “vacinas combinadas“).

4) QUE CUIDADOS DEVEMOS TER EM RELAÇÃO À VACINA PARA POLIOMIELITE?

a)     Pacientes com imunodeficiência, inclusive HIV, uso de drogas imunossupressoras ou radioterapia devem receber SALK e não  Sabin

b)     Crianças que tenham contato com pacientes imunodeficientes por doença ou droga imunossupressora (pais, irmãos ou pessoas que morem na mesma casa) não devem receber Sabin. Devem receber Salk

c)     Adultos devem preferentemente receber Salk

d)     Gestantes não devem ser vacinadas poliomielite, exceto se estiverem em áreas de risco com imunização incompleta.

e)     Sempre que possível, as duas primeiras doses da vacina devem ser realizadas com a Salk

f)      As vacinas poliomielite são contra indicadas em pessoas que tenham apresentado alguma reação de hipersensibilidade ou anafiláticas à vacina ou a algum de seus componentes

 

5) QUAIS AS POSSÍVEIS REAÇÕES ADVERSAS DA VACINA?

Os riscos de eventos adversos graves são muito pequenos para as vacinas poliomielite.

A Sabin pode causar poliomielite paralítica associada à vacina em cerca de um a cada 1 milhão de doses aplicadas .

Não há eventos adversos graves associados ao uso da vacina Salk atualmente.  Pode eventualmente ocorrer reação alérgica a algum dos componentes da vacina.